NOVIDADE: Sensores de Glicose sem calibração? Com duração de 90 dias?


No passado, pensava-se que os sensores de glicose e, consequentemente, os Monitores Contínuos de Glicose (CGM) eram recomendado apenas para um curto período, quando fosse necessário ajustar o tratamento de quem apresentava hipo ou hiper assintomática ou em momentos de difícil detecção do descontrole (madrugada por exemplo). Depois, percebeu-se que eram úteis também para que a pessoa com diabetes acompanhasse tendências de subida e ou descida da glicose e atuasse antes de chegar a uma hipo ou hiper mais grave.   

MiniMed Connect

Com o tempo, tanto os sensores quanto os algoritmos, usados para interpretar seus resultados e apresentar valores mais próximos aos apresentados pelo glicosímetro, foram aperfeiçoados. Dessa forma, tornaram-se mais sensíveis a pequenas variações na glicose, Por isso, quem já usava sensores passou a se surpreender com a proximidade dos valores apresentados pelo sensor com os do glicosímetro, sentindo-se mais seguro para usar o equipamento na tomada de decisões. E, além disso, foi revelado em pesquisas que o uso contínuo de tais equipamentos tinha impacto positivo sobre o controle, enquanto o uso esporádico tinha pouco ou nenhum efeito.

Glicosímetro e Sistema 640G

Contudo, nunca havia sido dito que ajustes terapêuticos e decisões de corrigir uma hipoglicemia ou hiperglicemia poderiam ser feitos apenas com base nos resultados do sensor, sem rechecagem com o glicosímetro. Até que a Abbott apresentou o FreeStyle Libre, com a seguinte mensagem "A revolução será sem sangue. Uma nova era na monitorização de glicose". Apesar de não se tratar de um CGM, visto que se o usuário não quiser, os resultados não são automaticamente transferidos para o equipamento e mostrado e não há alarmes de hipo, hiper ou variação, seu funcionamento também é através de um sensor subcutâneo e que, no caso, dura 14 dias e não precisa ser calibrado.

CGM e Sensor Dexcom G5

Ao mesmo tempo, os outros fabricantes de sensor, Medtronic e Dexcom, foram aperfeiçoando seus sensores e equipamentos e no Congresso de Tecnologia em Diabetes, ATTD 2016, a Dexcom declarou que é possível sem tomar decisões de terapêuticas e fazer correções com base nos resultados apresentados por seus sensores. Isso pelo fato de em comparação com os resultados do equipamento padrão, a diferença apresentada pelos sensores atuais é tão pequena, ou quase tão pequena, quanto à dos glicosímetros (por volta de 10%, com alguma variação entre os diferentes modelos e fabricantes)!

Sensor Medtronic de 5a geração

Faz-se importante lembrar, contudo, que os modelos da Dexcom e da Medtronic ainda dependem de 2 calibrações ao dia, com base em resultados do glicosímetro. Mas, entre as novidades apresentadas no ATTD 2016, a Medtronic apresentou resultados de seu sensor de 5a geração, contendo um sistema de redundância, ou melhor, duas áreas sensíveis por sensor, para que os resultados sejam confirmados antes de apresentados e, caso as duas áreas sensíveis não apresentem valores compatíveis, o resultado não é apresentado a fim de garantir a acurácia dos valores. Além disso, esse sensor precisará ser calibrado apenas 1 vez ao dia.

CGM Senseonics

Mas talvez o sensor mais impressionante apresentado no ATTD 2016 tenha sido o da nova empresa Senseonics, Eversense. Trata-se de um sensor que é implantado sob a pele do braço na clínica do endocrinologista e dura 90 dias! Seus resultados são apresentados na tela do SmartPhone ou do Tablet e, caso longe desses dispositivos, o próprio transmissor que fica sobre a pele emite alertas vibratórios se a glicose atingir patamares baixos, altos ou estiver variando rapidamente. A empresa diz já estar aguardando liberação para começar a comercializá-lo em 2016 na Itália e em dois outros países europeus. PS. Também dependerá de 2 calibrações ao dia, com resultado do glicosímetro.

Sensor Eversense, dentro do frasco acima

Para terminar, uma pesquisa que chamou muito a atenção no ATTD 2016 indica que usuários dos sensores, independentemente de usarem bomba de insulina ou caneta de aplicação, apresentam hemoglobina glicada (A1C) mais baixa. Portanto, cada vez mais esses equipamentos se mostram úteis para um dia a dia mais seguro, buscando um melhor controle glicêmico. 

Slide apresentado por Kellee Miller, do T1DExchange, durante o ATTD 2016

® Texto pode ser mencionado, desde que citada a fonte por completo e imagens apenas após autorização. 

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