Cuidando do DIABETES e fazendo VESTIBULAR / ENEM / CONCURSO

Estou aqui para contar um pouco da rotina de quem tem diabetes em meio aos vestibulares. A ideia de ficar muito tempo sentado, pensando, resolvendo questões já é, por si só, incômoda. Somemos a isso o fato de que você não pode usar celular – sequer relógio, em muitos! -, é fiscalizado até quando vai ao banheiro… É um estresse muito grande!
http://educacao.uol.com.br/album/2012/06/25/dez-coisas-que-voce-nao-deve-fazer-enquanto-estiver-estudando.htm#fotoNav=10
Como se já não bastasse, eu, prestando vestibular, tenho diabetes. Então, o cuidado precisa ser ainda maior. Além dos cuidados necessários que todo candidato tem com a prova – além de estudar, separar documentos, lápis, borracha, local de prova… – preciso me preocupar, também, com a glicemia!

Normalmente, as provas dos grandes vestibulares – Fuvest, Unicamp, Unifesp, Unesp, ITA, ENEM… – acontecem no horário de almoço de muita gente, e duram muito tempo – cerca de quatro, cinco horas. Então, a última coisa que posso esquecer é de me alimentar. E o mais importante, não posso pensar apenas no dia do vestibular, já que o que eu comer, no dia seguinte também pode me afetar durante a prova.

No dia anterior, presto mais atenção ao controle glicêmico e evito comer alimentos muito gordurosos ou muita proteína, já que o efeito deles na glicemia acontece algumas horas depois da ingestão. Não é muito interessante acordar com 300mg/dl no dia da provae já ficar estressado, além do que, comer besteiras pode dar uma tremenda dor de estômago e também prejudicar a noite de sono!

Assim, no dia da prova, acordo, faço meu teste de glicemia, e tomo um café da manhã reforçado com carboidratos mais complexos, como pães e cereais integrais. Reduzo, também, a dose de insulina basal para evitar hipoglicemia durante a prova.

Ainda na manhã da prova, arrumo a minha mochila. Além do cartão de confirmação – ou não, alguns vestibulares não o fornecem –, documento de identificação, lápis, borracha, apontador e caneta, levo meu monitor de glicemia, caneta de insulina rápida, sachês de glicose, água e suco, além de carboidratos complexos – biscoitos – e um refrigerante normal, para evitar hipoglicemias.


Ao chegar no local de prova, sempre aviso os fiscais sobre o fato de eu ter diabetesMostro a eles o monitor de glicemia, explico como funciona, e também mostro a caneta de insulina. Durante a época em que estava com a bomba de insulina, também expliquei o que era e porque não podia desligá-la. Prefiro explicar tudo antes da prova do que arriscar precisar usar os acessórios durante a prova e ser confundido com um candidato que esteja usando o celular.      

Durante a prova, bebo bastante água e fico atento para qualquer sinal de hipoglicemia ou hiperglicemia. Se precisar fazer um teste, chamo sempre o fiscal para que ele veja que eu não estou fazendo nada indevido. Se necessário, aplico insulina ou uso alguma das coisas que levei para casos de hipoglicemia.

Tenho alguns casos curiosos que aconteceram em relação às provas e ao diabetes. Vou contar um que aconteceu em uma prova do ENEM e um que aconteceu em uma prova da Unicamp.

Durante o último ENEM, fui surpreendido por um dos fiscais ao ser informado de que “não poderia comer nem beber durante a prova”. Imaginei um caso de hipoglicemia, o que com certeza me traria problemas durante a prova. Então, informei ao fiscal que tinha diabetes, e que precisaria comer ou beber, mesmo que fosse como exceção. Então, fui surpreendido novamente, quando descobri que nenhum dos fiscais – e sequer o coordenador do local de prova! – sabiam o que era diabetes. Depois de uns bons minutos explicando pacientemente o que era e porque precisaria comer e, possivelmente, usar o monitor de glicemia e a caneta de insulina, recebi “permissão especial”. No dia seguinte, todos os candidatos puderam comer e beber durante a prova.

Outro caso curioso aconteceu durante uma das provas da Unicamp, que fiz quando estava fazendo o teste com a bomba de insulina. Informei o fiscal que era diabético, e ele, informado, me perguntou se eu precisaria fazer uso de seringas. Expliquei, então, que estava usando uma bomba de insulina, e que não poderia desconectá-la do corpo durante a prova. O fiscal achou esquisito, principalmente pela semelhança da bomba com um pager. Porém, ao ver o cateter preso, realmente, ao corpo, se convenceu, e avisou o coordenador do local de prova. Expliquei o caso para o coordenador e não tive maiores problemas… Mesmo que tenha tido uma hipoglicemia durante a prova. Levantei a mão e informei o fiscal da sala, que ficou “observando” eu fazer o teste, por motivos de “segurança da prova”.

Dá pra perceber que diabetes e vestibular não são tão complicados de conciliar. Se você está bem informado sobre o assunto, pelo menos informado o suficiente para explicar o que é cada coisa que você precisar fazer, não terá problemas. Se não estiver seguro o suficiente, faça o mesmo esquema de uma viagem: leve uma receita médica, explicando que você tem diabetes.

E, claro… Não adianta apenas cuidar do diabetes e não estudar para a prova!

Abraços!

Ronaldo Wieselberg
Jovem Líder em Diabetes e Estudante de Medicina

Comentários

  1. Minha primeira prova do Enem, é terrível perceber que chegou a hora. Tenho que dizer que estou muito nervosa.
    Obrigada Ronaldo, de verdade, ler este post me deixou confiante. Obrigada.
    - Tayene Correia

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