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Alimentação vegetariana, benéfica ou perigosa?

Muito já se discutiu e muitas vezes ainda se discute se ter uma alimentação exclusivamente baseada no consumo de plantas e seus derivados é seguro. A questão posta geralmente é: "estariam as necessidades nutricionais de um ser humano atendidas por uma alimentação que exclui carnes e produtos de origem animal, como leite e ovos?"

Em artigo publicado neste ano, na revista Diabetes Spectrum, da American Diabetes Association (ADA), pelas especialistas Caroline Trapp e Susan Levin, é feita uma revisão bibliográfica de 44 artigos apontando que dietas baseadas em plantas e seus derivados são seguras e podem oferecer benefícios significativos à saúde.

"Estes quatro grupos de alimentos fornecem a boa nutrição que você precisa. Não há necessidade de produtos de origem animal na dieta, e você está melhor sem eles. Certifique-se de incluir uma fonte confiável de vitamina B12, como qualquer multivitamínico comum ou alimentos fortificados." (http://pcrm.org/health/diets/pplate/power-plate)
De acordo com as autoras, hábitos vegetarianos estão associados ao menor consumo de calorias, de gordura, de gordura saturada, de colesterol e menor índice de massa corpórea (IMC). Além disso, o consumo de fibras, potássio e vitamina C tende a estar aumentado. Assim, em artigos científicos é indicado que a dieta vegetariana está associada a redução da prevalência de hipertensão, de obesidade, do colesterol LDL (conhecido popularmente como colesterol ruim), de diabetes tipo 2 (aproximadamente metade da prevalência), e de doença cardiovascular (que tem prevalência de 2 a 4 vezes maior em indivíduos com diabetes, o que reforça a importância de se procurar formas de prevenção).

As autoras revelam que quanto menor o consumo de alimentos provenientes de animais, melhores os resultados. Portanto, há melhora de parâmetros relacionados à saúde no caso de uma alimentação vegetariana, porém esses benefícios são ampliados no caso de deita vegana (sem consumo de produtos de origem animal, incluindo ovos e leite). De um dos estudos citados, revelam que a prevalência de diabetes foi de 2,9% em veganos e 7,8% em indivíduos que consumiam carne.

No artigo fica claro que a decisão por adotar um dieta composta por plantas e derivados, deve ser feita com cautela, a fim de que se aprenda a consumir a variedade de alimentos de origem vegetal que suprirá todos os nutrientes necessários. Além disso, as autoras alertam que, como no caso de qualquer alteração dietética, deve-se monitorar com mais frequência a glicemia, já que podem ocorrer tanto diminuições quanto aumentos da glicemia, que dependerão de ajustes de dose de insulina ou outro medicamento. Para quem faz uso de medicação antihipertensiva, pode haver queda acentuada na pressão e necessidade de contato com a equipe de saúde para ajuste de doses.

As autoras concluem que:
"Como outras abordagens que resultam em perda de peso, uma dieta a base de plantas pode reduzir o risco de desenvolvimento de diabetes tipo 2. Para aqueles que já têm diabetes, a dieta a base de plantas é de baixo teor de gordura e tem demonstrado eficácia no controle metabólico, perda de peso e redução do risco cardiovascular, com aceitabilidade demonstrada e aderência comparável a outras terapêuticas alimentares."


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