Entendendo a Nefropatia Diabética

Gabriela Maués Silva Soares

Quando falamos em diabetes, o que mais preocupa e assusta quem tem a condição são as complicações crônicas. Entender seu funcionamento e como elas acontecem pode ser fundamental para evitá-las ou impedir sua progressão. Uma das consequências do mal controle do diabetes é a nefropatia diabética, uma complicação que afeta os rins e que geralmente não apresenta sintomas até que o quadro já seja mais grave

Vídeo: https://youtu.be/4MszcjISShc

Os rins são como filtros do corpo cuja função é eliminar os resíduos que não têm mais utilidade. Enquanto esses resíduos passam pelos capilares (vasos sanguíneos muito finos) e vão compor a urina, outras substâncias úteis ao organismo são reabsorvidas e continuam circulando no sangue. 

Na nefropatia diabética, os rins não conseguem filtrar adequadamente as substâncias que devem ser eliminadas ou mantidas no organismo. Isso acontece porque os altos níveis de glicose danificam os micro-vasos, impedindo que respondam de forma adequada às diferentes substâncias que chegam pela corrente sanguínea aos rins. Como consequência, moléculas que deveriam ser mantidas, são eliminadas pela urina, como por exemplo algumas proteínas. 

Quando a presença de proteínas na urina se dá em pequenas quantidades, porém acima de 30 mg/dl, o quadro é chamado de microalbuminúria. Isso caracteriza a fase inicial da nefropatia diabética e a melhora do controle da glicemia, aliada ao eventual uso de alguns medicamentos pode impedir que ela avance. Porém, se a complicação progride para a fase da macroalbuminúria (grande quantidade de proteínas na urina, acima de 300 mg/dl), ela é chamada de doença renal crônica

Se isso acontece e não é tratado, os rins progressivamente deixam de funcionar e a pessoa pode precisar de sessões de hemodiálise ou de um transplante renal. A boa notícia é que a doença pode ser detectada precocemente, através de exames que identificam a presença de proteínas na urina. Quando identificada cedo, pode até mesmo ser revertida, através de um controle rigoroso. Por isso, faça o exame de função renal regularmente!

É importante lembrar que o controle intensivo é justamente o que nos protege das complicações, diminuindo muito a chance de que elas apareçam. Para impedir que alguma complicação avance precisamos fazer exatamente o mesmo que fazemos para prevení-las, ou seja, manter a glicemia dentro das metas estabelecidas, ter uma alimentação saudável, praticar atividade física regularmente e manter a pressão arterial e o colesterol controlados, além de evitar álcool e tabaco.

Gabriela Maués Silva Soares
8o Treinamento de Jovens Líderes em Diabetes
ADJ Diabetes Brasil

Bibliografia: 

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