Pular para o conteúdo principal

Hipoglicemia? Saiba por qual tipo de exercício começar seu treino


Continuando as publicações sobre pesquisas recentes na área de exercícios físicos para pessoas com diabetes tipo 1, a educadora física e doutoranda da USP, Patrícia Vieira de Luca, gentilmente preparou o artigo abaixo. 
http://www.lazerbeleza.com/2010/03/22/dicas-para-exercicios-com-peso/
Neste ano foi publicado um artigo de grande interesse às pessoas com diabetes e profissionais de saúde. Nele os autores trazem uma questão interessante: será que a ordem do tipo de exercício (resistidos e corrida aeróbia) poderia interferir de forma diferente na resposta da glicemia pós-exercício? Sabemos que exercícios aeróbios prolongados provocam queda na glicemia, por isso devem ser monitorados a cada 30 min ou menos, ou caso haja algum sintoma. Já exercícios intensos podem provocar aumento da glicemia, reduzindo o risco de hipoglicemia durante sua prática. Porém o risco de hipoglicemia tanto após seu término quanto durante a noite pode ser maior do que em exercícios aeróbios prolongados.

Nesse estudo participaram 12 pessoas com diabetes do tipo 1 (10 homens e duas mulheres), fisicamente ativas, cinco utilizavam múltiplas doses de insulina e sete estavam com bomba de infusão contínua de insulina. Por tanto, não podemos dizer que os mesmos resultados aconteceriam com pessoas menos ativas e sedentárias.

As respostas glicêmicas foram comparadas entre o exercício aeróbio (45 min de corrida a 60% do VO2pico), seguido do anaeróbio (levantamento de peso, com 3 séries de 8 repetições máximas e 90 segundos de descanso entre cada série, por 45 minutos) e após 5 dias o mesmo grupo fez o contrário (força e depois corrida). Todos mantiveram repouso monitorado no laboratório, durante 1 hora após o exercício. O monitoramento total foi feito 24 antes, durante a sessão e 24 horas depois da sessão de exercícios.

Os resultados deste estudo trouxeram dados muito importantes para a realidade do treinamento: quando iniciado pelo exercício de força, a glicemia se mantém estável durante e até 15 minutos depois (estes 15 minutos já foram com a corrida iniciada após o exercício com peso). Depois dos primeiros 15 minutos de corrida (aeróbio moderado) houve uma queda contínua na glicemia, necessitando de reposição de carboidrato (CHO). Já ao iniciar os exercícios com a corrida provocou quedas na glicemia desde o início da atividade até os 45 min finais, necessitando de reposição de carboidrato. Na sequência, durante os exercícios de força, houve recuperação da glicemia, a qual continuou subindo mesmo após o término da sessão, no período de recuperação.


Ambos os protocolos provocaram hipoglicemia noturna, entretanto o exercício aeróbio seguido de força tendeu a hipoglicemias mais longas e mais severas. Os autores afirmam que ao se fazer o exercício com peso antes há liberação de hormônios hiperglicemiantes (adrenérgicos), que também disponibilizam mais gorduras na circulação, utilizada como fonte de energia no exercício aeróbio subsequente e reduzindo a utilização de carboidratos (prevenindo hipoglicemia no início da corrida). Acrescentam ainda que, para pessoas que tendem a ser hiperglicêmicas, seria interessante realizarem o exercício aeróbio antes do resistido (com peso), pelos resultados aqui mostrados.

Apesar das novas descobertas, as recomendações continuam as mesmas, começando por: monitorar, monitorar e monitorar. Ambos os protocolos devem ser acompanhados cuidadosamente durante e após o exercício, percebam que foi um treino de 90 minutos e os exercícios de força durante os 45 minutos, foram intensos. Mais uma vez, é uma excelente sugestão, porém foi feito em um pequeno grupo de pessoas fisicamente ativas e treinadas. Mais estudos são necessários para os que estão iniciando ou voltando a treinar. E, aos que já fazem este tipo de treinamento, aproveitem esta sugestão e bom treino!
Patrícia Vieira de Luca
Mestre em Educação Física-USP
Voluntária na ADJ-Diabetes Brasil
Parte da Equipe de profissionais do Educando Educadores 

www.educandoeducadores.com.br
Leia também:

Novidades sobre Atividade Física e Diabetes


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Medindo a glicemia sem precisar furar o dedo

Ainda durante o congresso da Associação Americana de Diabetes (ADA) de 2011 foram apresentados resultados de duas pesquisas muito interessantes, com formas não-invasivas e locais alternativos para se dosar a glicose . GlucoTrack -  www.integrity-app.com/description.html Em um deles a glicose foi dosada de forma indireta através das expiração dos indivíduos . Isto é, a composição do ar exalado por essas pessoas foi analisada e a quantidade de moléculas resultantes da presença de glicose no sangue foi identificada. Com isso, foi possível chegar a valores de glicose muito próximos aos valores da ponta-de-dedo (glicemia capilar) . Apesar de os primeiros resultados terem sido bastante promissores, ainda há desafios a serem superados. Entre eles estão: verificar em número maior de pessoas e em diferentes níveis de glicemia se a precisão se mantém, transformar o analisador da expiração em algo portátil e de fácil utilização, e deixá-lo com custo de aquisição e manutenção tã...

Monitor de Glicose 14 DIAS e SEM CALIBRAÇÃO (primeiro artigo no Brasil)

Durante o Congresso Mundial de Diabetes, em dezembro de 2013, na Austrália, mais precisamente em Melbourne, aconteceu um Simpósio Corporativo, patrocinado pela empresa Abbott, cujo subtítulo chamava muito a atenção " A revolução será sem sangue. Uma nova era na monitorização de glicose ". No convite para o Simpósio ainda constavam as seguintes informações: "Abbott Diabetes Care está desenvolvendo um sistema desenhado para permitir que os pacientes capturem a informação glicêmica em um flash ".  FreeStyle Navigator II www.abbott-diabetes-care.de/de-de/produkte/kontinuierliches-glukose-messsystem/freestyle-navigator-ii/ A expectativa era grande, já que a Abbott é conhecida para uma série de glicosímetros muito populares e apreciados no mundo todo, seja devido ao minúsculo tamanho do FreeStyle Lite (foto abaixo) e a necessidade diminuta de sangue que requer, seja devido ao monitor com super memória e que pode ser programado para sugerir doses de insulina d...

A Pirâmide Alimentar está ERRADA!

Como sabemos, a alimentação indicada para quem tem diabetes é a mesma alimentação saudável indicada a todas as pessoas . Pensando nisso, oferecemos espaço para os alunos do 9th grade Global, do Pueri Domus de Aldeia da Serra , publicarem aqui um alerta fundamental! De acordo com o apresentado, baseado em material da Univesidade de Harvard , a Pirâmide Alimentar , que costumamos ver como ideal de alimentação saudável, tem uma série de erros e deve ser substituída por outra pirâmide. Vejamos abaixo. Há aproximadamente duas décadas, a USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) criou a Pirâmide Alimentar (Food Guide Pyramid). Ela deveria ilustrar os elementos de uma dieta saudável, mas apresenta diversas falhas, priorizando mais a indústria alimentícia do que a própria alimentação saudável .  Em 2011 todas as pirâmides alimentares oficiais foram aposentadas, mas, ainda assim, continuaram sendo usadas em livros escolares, refeitórios e clínicas.  ...