EXAMES: TSH, T4, PCR, AAE, LDL, HDL, Creatinina e Frutosamina?

Continuando nossa discussão sobre os EXAMES que devem fazer parte da rotina de quem tem diabetes, hoje a endocrinologista Dra. Cristina Khawali, que há anos trabalha com os principais laboratórios do país, compartilha outros conhecimentos fundamentais (clique aqui para ver a primeira parte da entrevista, publicada na semana anterior).

4. Por que algumas vezes o endocrino pede dosagem de TSH, T4, PCR, AAE?

O diabetes tipo 1 (DM1) é uma condição autoimune, ou seja, em que o sistema imune da própria pessoa produz anticorpos que destroem as células beta pancreáticas (as células produtoras de insulina). Esse mesmo descontrole do sistema imune pode afetar outras glândulas e órgãos, ou seja, pessoas com DM1 têm mais risco de apresentar outras doenças autoimunes.

A tireoide é a glândula mais comumente afetada, determinando uma condição de deficiência dos hormônios tiroidianos (hipotireoidismo) ou de excesso desses hormônios (hipertireoidismo). Esta é a razão pela qual monitoramos o TSH, T4 e solicitamos os anticorpos anti-tireoide.

www.webmd.com/women/guide/understanding-thyroid-problems-basics

Quanto ao AAE (anticorpo anti-endomísio), o que ocorre é que pessoas com diabetes tipo 1 podem reagir a uma proteína presente em muitos alimentos, que contenham glúten, como o trigo, o centeio e a cevada. A formação de anticorpos contra uma parte desta proteína, conhecida como gliadina, desencadeia um processo inflamatório no intestino delgado, que leva aos sinais e sintomas da doença: diarreia, distensão abdominal, vômitos, náuseas, inapetência, prisão de ventre e consequentes desnutrição e anemia. Ainda no DM1, isso pode aumentar o número e a gravidade de hipoglicemias, devido à má absorção dos alimentos pelo intestino inflamado. Esta doença é conhecida como doença celíaca, ou intolerância ao glúten. O anticorpo anti-endomísio é indicado na triagem de indivíduos com suspeita desta doença, ou naqueles com maior risco de desenvolvê-la, como é o caso de quem tem diabetes tipo 1.

www.fenacelbra.com.br/fenacelbra/doenca-celiaca/

Como sabemos, pessoas com diabetes, em especial do tipo 2, apresentam risco aumentado para doenças cardiovasculares, como o infarto do miocárdio e o acidente vascular cerebral, em decorrência de uma aterosclerose mais acelerada. Hoje, sabemos também que a aterosclerose é, em parte, uma doença inflamatória. A PCR é uma proteína que aumenta em processos inflamatórios, e vários estudos demonstraram que um risco aumentado de doença cardiovascular se associa com níveis de PCR superiores a 0,11 mg/dL. Portanto, o risco cardiovascular tanto nos portadores de diabetes quanto no restante da população pode ser avaliado por mais um marcador que é a PCR.

Calculadora de Risco Cardiovascular: http://goo.gl/cyZLut

5. Há outros exames que devem ser de rotina para quem tem diabetes?

Sim, há mais exames importantes para citarmos aqui:
  • Creatinina é um exame útil na avaliação da função renal, e deve ser monitorada nos pacientes que além de diabetes apresentam, também, hipertensão arterial, pois é muito bem conhecido o risco de pessoas com hipertensão não controlada evoluírem para insuficiência renal.
  • Perfil lipídico ou exame de colesterol total e frações e triglicérides. Neste exame ocorre a determinação dos níveis de colesterol total, e de suas frações, em especial do HDL-colesterol (conhecido popularmente como o “bom colesterol”, pois seus níveis estão associados a menor risco de desenvolvimento de doença cardiovascular) e do LDL–colesterol (“mau colesterol”, cujos níveis estão associados positivamente com aumento dos eventos cardiovasculares).
  • Frutosamina é uma estrutura formada pela interação da glicose com algumas proteínas do sangue, sendo a principal delas a albumina. Como o tempo de vida da albumina é 3 semanas, a determinação da frutosamina nos dá uma ideia do controle glicêmico médio das últimas 2 a 3 semanas. Auxilia assim, a equipe de saúde a avaliar e acompanhar os resultados de mudanças terapêuticas em um período mais curto do que aquele em que a hemoglobina glicada nos informa (2 a 3 meses).

Dra. Cristina Khawali 
Médica Endocrinologista
Mestre e Doutora pela Disciplina de Endocrinologia e Metabologia da EPM/UNIFESP
Telefone do Consultório: (11) 5061-0915

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